Ligadas pela economia, Alemanha e Grécia disputam um lugar na semi
Crise financeira dos gregos no euro - e não na Eurocopa - será esquecida por ao menos 90 minutos nesta sexta-feira. Alemães querem manter 100%
Joachim Löw em treino da Alemanha na véspera do confronto: apenas futebol em jogo (Foto: Reuters)
Discussões sobre a crise do euro - e não a Euro - têm preocupado gregos e alemães. Após dias de negociações e mais de um mês de impasse, a Grécia formou um novo governo para tentar superar sua situação econômica combalida. Liderado, curiosamente, por Antonis Samaras - que leva o mesmo sobrenome de um dos atacantes da seleção -, o partido é favorável ao pacote de ajuda financeira, embora tenha anunciado que irá tentar uma renegociação de seus termos de resgate.
É aí que entra Angela Merkel. A chanceler alemã, que estará em uma das áreas VIPs do estádio após ter encontrado um espaço livre em seu calendário, fez do país o mais favorável à política de austeridade. Eleita a mulher mais poderosa do planeta em 2009, ela terá influencia na negociação da Grécia com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Em campo, no entanto, Alemanha e Grécia prometem sequer se envolverem com o que é tratado nas manchetes.
– Eu e a Angela temos uma boa relação. Chegamos a um acordo no qual ela não interfere sobre a formação do meu time e instruções táticas, e eu não lido com a sua agenda política. Até onde eu sei, estamos às vésperas de um jogo de futebol como qualquer outro, e ponto final – ironizou o técnico Joachim Löw.
Angela Merkel estará presente no estádio (Reuters)
– É negativo que comecem a fazer histórias e comparar o futebol e esporte com a política. É apenas um jogo. Vamos jogar e desfrutar porque amamos, nada mais. Jogamos por 11 milhões de pessoas na Grécia que estão à espera de um sorrido, de uma razão para sair às ruas e celebrar. Já vimos um pouco disso contra a Rússia – disse o atacante Georgios Samaras.
Alemanha paciente
Com campanha 100% em uma chave que contava com o já semifinalista Portugal, Holanda e Dinamarca, a Alemanha chega ao confronto sem esconder o favoritismo. O talento de Schweinsteiger, Özil, Müller, Lahm e companhia, além do faro de gol do centroavante Mario Gómez, colocaram a seleção de Löw em um patamar que a Grécia não deverá atingir. O treinador, porém, deixou claro que espera um jogo duro, principalmente pela força defensiva dos helênicos.
– Uma coisa certa é que não iremos subestimá-los. Sei que terá situações em que haverá 10 jogadores dentro da área. Temos de mostrar paciência para conseguir a nossa chance – avisou.
O time deverá ser o mesmo das duas primeiras rodadas. A única mudança em relação à vitória sobre a Dinamarca é o retorno do lateral-direito Jérome Boateng, que cumpria suspensão, no lugar de Lars Bender. Özil e Schweinsteiger, ausências em alguns treinos durante a semana, estão confirmados.
Gregos com problemas
Na Grécia, o técnico português Fernando Santos tenta reencontrar o espírito guerreiro do time de 2004, campeão com vitórias minúsculas no placar, mas de grande entrega, já vista no triunfo sobre a Rússia na última rodada do Grupo A.
Herói da classificação, Karagounis será o grande
desfalque da Grécia por suspensão (Foto: Reuters)
desfalque da Grécia por suspensão (Foto: Reuters)
– Tenho de dizer que vamos sentir a falta de Karagounis, pois é o capitão e a alma do time – resumiu o atacante Gekas.
A Grécia também terá mais uma motivação para ir à semifinal: ainda não venceu a Alemanha na história. Foram oito confrontos entre os dois países, com cinco triunfos alemães e três empates. Quem se classificar terá pela frente Inglaterra ou Itália, que medirão forças no próximo domingo, em Kiev.
– A Alemanha já partiu para esse torneio como favorita, mas nós não viemos aqui para passar férias. Queremos alcançar nossos objetivos que naturalmente passam por vencer – afirmou Fernando Santos.
| Neuer, Boateng, Hummels, Badstuber e Lahm; Khedira, Schweinsteiger, Müller, Özil e Podolski; Mario Gómez. | Sifakis, Torosidis, Papastathopoulos, Kyriakos, Papadopoulos e Tzavellas; Katsouranis, Maniatis, Salpingidis, Fotakis (Ninis) e Samaras; Gekas. |
| Técnico: Joachim Löw. | Técnico: Fernando Santos. |
| Estádio: Arena Gdansk (Polônia). Data: 22/06/2012. Árbitro: Damir Skomina (Eslovênia). | |
| Transmissão: o SporTV e a Band exibem ao vivo a partir das 15h45m (de Brasília) | |







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