Milan se rende a Allegri
(FIFA.com) Segunda-feira 9 de maio de 2011
Milão segue mais em voga do que nunca no futebol italiano. Esta é a sexta temporada seguida em que a capital da Lombardia se torna o destino final do Scudetto, sendo que a última delas em um novo endereço. Depois de passar cinco anos confortavelmente instalada na sede da Inter, à Via Durini, a taça do campeão italiano voltou a se encontrar com o número três da Via Filippo Turati, casa do Milan, onde havia estado em outras 17 oportunidades.
A história poderá lembrar que o 18º título dos rossoneri veio graças à experiência de nomes como Clarence Seedorf, que agora soma 19 títulos na carreira, Mark Van Bommel, que chegou aos 20, ou ainda pela qualidade individual de Zlatan Ibrahimovic, que nos últimos dez anos ergueu nove taças, duas das quais revogadas quando defendia a Juventus. Mas a verdade é que acima de tudo isso está a união do grupo em torno de um treinador até então pouco conhecido. Trata-se de Massimiliano Allegri, de 44 anos.
Assim como José Mourinho fez pela Inter na temporada passada, mas de um jeito diferente, Allegri teve papel fundamental para o sucesso do Milan, que já não levava o título desde 2004. Vale lembrar que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, presidente do clube há 25 anos, causara grande surpresa ao anunciar o nome do técnico como substituto do brasileiro Leonardo, insatisfeito com as ingerências técnicas do mandatário.
Harmonia de geraçõesApesar da falta de experiência no primeiro escalão do futebol, Allegri soube fazer uso da diplomacia tanto com dirigentes quanto com jogadores. "Entendi rapidamente que, para trabalhar no Milan, precisaria ganhar a consideração e o respeito de todos", explicou o técnico.
Mas o primeiro passo foi frear o ímpeto dos partidários de uma formação extremamente ofensiva, que sonhavam com um agressivo 4-3-3, formado por Zlatan Ibrahimovic, Ronaldinho Gaúcho e Robinho na frente e Pato no apoio. Sem fazer alarde e com alguns pequenos ajustes depois, Allegri foi progressivamente aplicando o seu estilo à equipe. Nos vestiários, acabou conquistando a confiança dos líderes do grupo sem que precisasse oferecer qualquer tipo de regalia.
Contando com a experiência de craques como Seedorf, Gennaro Gattuso, Alessandro Nesta e Massimo Ambrosini, além do goleiro Christian Abbiati, todos entre 33 e 35 anos de idade, o treinador abriu as portas também para uma nova geração de atletas de 20 a 25 anos, deixando claro que a temporada seria longa e que todos teriam uma chance.
Convencidos, "novatos" e "veteranos" corresponderam em campo e apoiaram Allegri. "Na prática, sou eu que estou à disposição dos jogadores", revelou. "Procurei entender um por um, sendo sempre sincero." A sinergia deu resultado. Prova disso é a dupla de zaga formada por Thiago Silva, de 26 anos, e Alessandro Nesta, de 35, melhor defesa do campeonato com apenas 23 gols sofridos, além de não ter visto as suas redes balançarem há 371 minutos.
AplicaçãoA alquimia do grupo foi se estabelecendo, e Allegri se apoiou na forte personalidade de Ibrahimovic, de 29 anos. "Nos seis primeiros meses, o Ibrahimovic foi fundamental para nós", elogiou. "Ele realmente levou a equipe nas costas", completou o técnico, referindo-se aos 14 gols marcados pelo artilheiro, alguns dos quais verdadeiras obras de arte.
Com o sistema instaurado, Allegri consolidou a sua influência no momento da saída de Ronaldinho Gaúcho, até então protegido de Berlusconi, e na chegada de Mark Van Bommel, companheiro ideal para Gattuso e Antonio Cassano no meio-campo. "A equipe melhorou a partir de janeiro, especialmente no setor defensivo", avaliou. "E quando você tem a melhor defesa, no geral acaba levando o Scudetto", contemplou o técnico, adepto de um 4-4-2 com um losango central que permite explorar ao máximo as qualidades do plantel sem assumir riscos.
E mesmo que nem sempre as coisas saíssem conforme o esperado - como na eliminação precoce na Liga dos Campeões diante do Tottenham -, os resultados positivos endossaram as escolhas táticas e técnicas do treinador. "Não nos demos por vencidos", lembrou o capitão Gattuso. "Diziam que eu estava acabado, mas hoje somos campeões da Itália. Allegri merece uma nota 10, foi graças a ele que vencemos. Ele conseguiu manter o grupo unido. Percebi que iríamos vencer quando ele passou a tomar decisões importantes e ninguém o contestava."
Seguir evoluindoAté mesmo Berlusconi se rendeu ao sucesso do treinador. "O Massimiliano se encaixa perfeitamente na linha dos nossos grandes treinadores, depois de (Fabio) Capello, (Arrigo) Sacchi e (Carlo) Ancelotti", declarou o presidente. "Ele possui as qualidades técnicas e humanas necessárias para conquistar grandes resultados."
De fato, Allegri já se prepara para novos desafios. "É preciso dar sequência aos trabalhos para crescer ainda mais", disse. "O presidente me disse que faria um esforço extra para nos deixar competitivos para a próxima temporada", concluiu o técnico, preocupado em rejuvenescer o plantel e já pensando na possível transferência de Andrea Pirlo para a Juventus.
No caminho inverso, a equipe já planeja alguns reforços. O zagueiro Philippe Mexès e o lateral esquerdo nigeriano Taye Taiwo estariam na mira, assim como o santista Paulo Henrique Ganso. Mantendo um tom misterioso, Berlusconi apenas promete um Milan ainda mais forte para o ano que vem. "Queridos torcedores rossoneri, vou lhes dar um presente de muito valor", disse o mandatário, de olho na próxima Liga dos Campeões. A torcida aguarda impaciente e já sonha com outras taças, agora em cenário europeu.







Nenhum comentário:
Postar um comentário