Capitão e homem forte da defesa da Internazionale, o argentino Javier Zanetti disputou nesta quarta-feira, no Estádio Giuseppe Meazza, contra a Roma, a milésima partida da sua carreira. Para celebrar a marca, jogou com a inscrição "panteão dos mil" na braçadeira e na camisa, logo abaixo do escudo da Inter.
Nesta data especial, nada melhor do que comemorar com  a classificação para a decisão da Copa da Itália, na qual vai tentar defender o título contra o surpreendente Palermo. No jogo de volta das semifinais, Inter e Roma ficaram no empate por 1 a 1 - gols de Samuel Eto'o e Marco Borriello  - ida, após vitória milanesa por 1 a 0 na ida.
É difícil estabelecer números precisos de um período tão longo, mas, no caso de Zanetti, é ele mesmo quem se encarrega de fazer as contas...
1.000 jogos na carreira, como ele mesmo se gabava antes do duelo contra a Roma desta quarta-feira. "Até o momento, contabilizo 33 partidas com o Talleres de Córdoba, o meu primeiro time, 66 com o Banfield, 12 com a seleção sub-23 da Argentina e 140 com a seleção principal. Desde que cheguei a Milão, vesti a camisa da Inter 748 vezes, sendo 534 pelo Campeonato Italiano, o que dá um total de 999 jogos", contava Zanetti de cabeça. Além da Série A, as 748 partidas em nerazzurro incluem ainda 140 compromissos em competições europeias, 62 na Copa da Itália e outros 12 em torneios diversos.
16 anos de fidelidade à Inter de Milão. Zanetti estreou na equipe no dia 28 de agosto de 1995 com uma vitória por 1 a 0 sobre o Vicenza. Rapidamente, o jovem desconhecido, sem dúvida a transferência mais rentável da história do clube, se tornou titular absoluto. No início da temporada 1999/2000, os dirigentes da Inter não hesitaram em lhe confiar a braçadeira de capitão no lugar de Giuseppe Bergomi, que havia se despedido dos gramados.
6 números diferentes (2, 3, 4, 5, 6 e 8) de camisa Zanetti já vestiu jogando pela Inter de Milão. No clube italiano, ele atuou em todas as posições do setor defensivo — exceto goleiro! — sempre com a mesma eficiência e dedicação.
38 velas que Zanetti irá apagar no bolo de aniversário do próximo dia 10 de agosto. "Tenho aproveitado cada treino e cada partida. Estou feliz. Sei que a hora de pendurar as chuteiras chegará um dia, mas por enquanto não penso nisso. Fico mais cansado com os meus filhos Sol e Inácio do que disputando um jogo", afirma o argentino. "Eu sabia que ele era uma fortaleza, mas não a este ponto", chegou a dizer José Mourinho na temporada passada. "Devem ter errado a data de nascimento no passaporte dele."
0 expulsões em 534 partidas pelo Campeonato Italiano, uma marca e tanto para um jogador que tinha como principal missão impedir os avanços dos rivais. Humilde, ele costumava garantir: "Sempre fui o mesmo. Isso é a coisa mais importante para mim", explicou certa vez o capitão, que guarda "grandes recordações dos clássicos aguerridos, mas sempre leais" contra o Milan de Paolo Maldini.
15 títulos conquistados com a Inter de Milão, incluindo praticamente todas as competições de clubes do planeta. Foram cinco scudetti seguidos entre 2005 e 2010, uma Copa da UEFA, quatro Supercopas da Itália, três Copas da Itália, uma Copa do Mundo de Clubes da FIFA e uma Liga dos Campeões da UEFA, as três últimas garantidas no brilhante 2010 da equipe.
26 gols ao longo da carreira, apesar de Zanetti ser um jogador de defesa. A coleção inclui 12 na primeira divisão italiana e um na final da Copa da UEFA de 1998, contra a Lazio (vitória por 3 a 0). Com a camisa da Argentina foram outros cinco gols, sendo um deles no empate em 2 a 2 com a Inglaterra pelas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA, em 30 de junho de 1998.
140 partidas pela seleção argentina, recorde histórico da Albiceleste. Zanetti estreou no dia 16 de novembro de 1994 em amistoso contra o Chile em Santiago (vitória por 3 a 0). Foi titular nas edições de 1998 e 2002 da Copa do Mundo da FIFA, mas ficou de fora da lista de José Pekerman para a Alemanha 2006. O técnico seguinte, Alfio Basile, promoveu o retorno do jogador em 2007 e até o escolheu para assumir o cargo de capitão após a despedida de Roberto Ayala. Com a chegada de Diego Maradona, Zanetti passou a braçadeira a Javier Mascherano, antes de ser excluído do grupo convocado para a África do Sul 2010. No dia 7 de setembro de 2010, porém, a fênix renasceu pelas mãos do novo técnico, Sergio Batista, em amistoso com a Espanha (vitória por 4 a 1). "Certamente estarei na Copa do Mundo de 2014 no Brasil — mas como torcedor da argentina!", diverte-se. Com Zanetti, nunca se sabe...
5 vice-campeonatos defendendo a seleção argentina, com a qual nunca conquistou um título. Foram duas finais da Copa das Confederações da FIFA — em 1995 e 2005 — duas da Copa América — em 2004 e 2007 — e uma malograda decisão no Torneio Olímpico de Futebol Masculino dos Jogos de Atlanta em 1996, em que seu país foi derrotado pela Nigéria pelo placar de 3 a 2.
1.362 partidas disputadas é o recorde detido por Peter Shilton, o lendário ex-goleiro da Inglaterra, que lidera o ranking à frente de dois outros goleiros, o inglês Ray Clemence (1.118) e o norte-irlandês Pat Jennings (1.096). O também inglês Alan Ball (4º, com 1.054 jogos) é o primeiro jogador de linha da lista. Neste "panteão dos mil" em que acaba de entrar, Javier Zanetti se encontra com dois de seus ídolos: o italiano Paolo Maldini (6º, 1.040) e o brasileiro Roberto Carlos (8º, 1.010).