Líder do Argentino 'ignora' briga pelo título e tenta escapar do rebaixamento
Tigre faz ótima campanha, mas vive uma situação de risco por causa de regulamento confuso, e dirigente assume: 'Nosso único objetivo é não cair'
Time atual faz sua parte, mas não é o suficiente
para o sucesso na temporada (Foto: reprodução)
para o sucesso na temporada (Foto: reprodução)
Líder do Torneio Clausura do Campeonato Argentino com a melhor defesa e o terceiro melhor ataque, o Tigre não tem motivos para comemorar. Ao mesmo tempo em que tenta manter-se na disputa pelo título, estando à frente de gigantes como Boca Juniors, Estudiantes e Vélez Sarsfield, a equipe luta contra o rebaixamento por causa do confuso regulamento vigente no futebol do país.
Por erros de um passado não muito distante, o clube não pode festejar um início de temporada promissor, capaz de acrescentar o capítulo mais glorioso a uma história centenária marcada pela ausência de títulos na principal divisão do país. Os dirigentes admitem que a conquista está em segundo plano. A missão é mesmo tirar a corda do pescoço.
- Estamos passando por uma situação rara, bastante particular, e isso acaba fazendo com que os jogadores não fiquem concentrados num único objetivo. Claro que estamos felizes com o desempenho atual, mas nossa briga em 2012 é para seguir na Primeira Divisão - afirmou Ezequiel Melagaña, vice-presidente do clube, em entrevista por telefone.
O regulamento
O rebaixamento é definido pela quantidade de pontos que cada equipe somou nas últimas três temporadas. Os pontos são somados e divididos pelo número de partidas disputadas no período. A média obtida é utilizada para determinar quem é rebaixado - no caso, as duas piores equipes - e quem irá disputar a repescagem pela permanência na Primeira Divisão - o 17° e o 18° da elite, além do terceiro e do quarto colocados da Segunda Divisão. Essa disputa é chamada de "Promoción".
Tigre poderá disputar uma repescagem para seguir
na elite argentina(Foto: Divulgação)
na elite argentina(Foto: Divulgação)
A situação do Tigre
Atualmente, na média do rebaixamento, o Tigre é o 18º, com 1.217 pontos, à frente de Atlético Rafaela, com 1.200, e Olimpo de Bahia Blanca, com 1.111 pontos - estes dois últimos estariam rebaixados. Também encontra-se na briga o San Lorenzo, que é o 17º com 1.247 pontos. Se o campeonato terminasse hoje, Tigre e San Lorenzo teriam que disputar a repescagem para tentar conseguir a permanência na elite do futebol argentino.
A lição foi aprendida tardiamente pelo Tigre. No Apertura de 2011, a equipe terminou na sétima posição. A base foi mantida, o planejamento para a atual temporada foi bem feito, e os frutos começam a ser colhidos apesar do fantasma da Série B.
- Temos um bom plantel. É basicamente o mesmo do ano passado, e realizamos contratações pontuais. Tínhamos problemas na defesa e conseguimos reforçá-la, o que nos permitiu iniciar tão bem a temporada - explicou Melagaña.
Tentativa de mudança e polêmicas
De acordo com Melagaña, os clubes estão discutindo com a Associação Argentina do Futebol (AFA) formas de mudar o regulamento. No início do ano, o Tigre chegou a unir-se a outros candidatos à queda (San Lorenzo, Olimpo de Bahía Blanca, Banfield, Tigre, Unión de Santa Fé e Newell's Old Boys) para tentar acabar com o rebaixamento.
- Estamos lutando por um campeonato mais justo para todos, buscando um equilíbrio nesse sentido - explicou o dirigente do Tigre.
Queda do River quase forçou a criação de uma nova fórmula de disputa na Argentina (Foto: agência AFP)
Quando a queda do River Plate tornou-se inevitável, a AFA tentou imprimir a mudança para favorecer o gigante da capital. No formato proposto pela federação, os 20 times da elite, os 16 da Segundona e os campeões de dois torneios metropolitanos disputariam um novo campeonato nacional, no qual não ocorreria o rebaixamento.
Curiosamente, River e Boca Juniors foram contrários à ideia, assim como os jogadores, que posicionaram-se através do sindicato Jogadores Argentinos Agremiados (FAA, sigla em espanhol). A tentativa da AFA foi fortemente criticada pela opinião pública na Argentina, e os dirigentes foram obrigados a "arquivar o caso".



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