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Caribe quer marcar presença em 2014
   Em 1974, na então Alemanha Ocidental, o Haiti foi o segundo país caribenho a disputar a Copa do Mundo da FIFA, seguindo os passos dos cubanos de 36 anos antes. Os haitianos caíram no gosto da torcida, mas, apesar do apoio do público e do bom desempenho de Emmanuel Sanon no ataque, o selecionado voltou para casa ao final da primeira fase. 

    As presenças de nações do Caribe na Copa do Mundo da FIFA foram poucas até hoje, e apenas Cuba conseguiu passar da primeira fase, sendo eliminada nas quartas de final em 1938. Sessenta anos depois, a Jamaica chegou à França com um uniforme multicolorido, cabelos rastafári e o molejo do reggae. Então foi a vez de Trinidad e Tobago, que conquistou o direito de disputar a Copa do Mundo da FIFA 2006 na Alemanha. Mais do que participar, a seleção trinitária fez bonito ao segurar um empate em 0 a 0 com a Suécia em Dortmund, razão para um feriado nacional e um verdadeiro carnaval no país.

Grandes expectativas
   
Faltando menos de mil dias para a Copa do Mundo da FIFA 2014, 17 seleções caribenhas ainda sonham em viajar ao Brasil, entre elas as de Haiti, Cuba, Trinidad e Jamaica. "Não estamos muito longe dos sucessos que obtivemos em 1998", afirma o técnico jamaicano Theodore Whitmore, que atuou como meio-campista no Mundial disputado na França e hoje dirige uma seleção aguerrida e veloz, liderada em campo pelo meia-atacante Dane Richards. "Só precisamos continuar na direção certa e encontrar o equilíbrio certo."
   Em boa posição no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, os jamaicanos, atuais campeões da Copa do Caribe, não estão entre os 15 representantes da CONCACAF na primeira fase de grupos do torneio classificatório. Juntamente com a seleção cubana, o país do reggae está garantido automaticamente na próxima fase, em que os adversários serão México, Estados Unidos, Costa Rica, Honduras e os seis vencedores dos grupos da etapa em andamento.

    De olho em mais uma participação na competição máxima do futebol mundial, o selecionado de Trinidad e Tobago tem no comando o técnico alemão Otto Pfister e o capitão Kenwyne Jones. Nas duas primeiras partidas sob a direção de Pfister, a equipe obteve duas vitórias. "O povo de Trinidad e Tobago tem futebol no sangue", diz o treinador, que já dirigiu 16 países de quatro continentes diferentes.
   No caso do Haiti, um país marcado por tragédias e dificuldades, um retorno à Copa do Mundo da FIFA poderá ajudar a diminuir o sofrimento causado pelo terremoto do ano passado, que matou centenas de milhares de habitantes, entre eles muitos membros da comunidade do futebol. Os haitianos estão atualmente empatados com Antígua e Barbuda na primeira posição do Grupo F da segunda fase de grupos.

Esperança e otimismo
    Atrás do quarteto de favoritos vêm outras seleções que apostam na esperança e no otimismo. Algumas delas, como Porto Rico (terceira colocada no Grupo D) e República Dominicana (terceira no Grupo A), têm o beisebol como principal esporte, mas estão crescendo muito no futebol. "Há um grande talento no futebol de Porto Rico", afirma o técnico da seleção porto-riquenha, o costa-riquenho Jeaustin Campos, que assumiu o cargo para manter os avanços do antecessor, o norte-irlandês Colin Clark.  
   Granada, Barbados, Curaçao, Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Névis e Bermudas são outras seleções que se desenvolveram nos últimos anos e sonham em realizar as mesmas façanhas dos países mais tradicionais da região. Já nos escalões mais inferiores, o Caribe conta com selecionados de pequenos territórios com populações muito pequenas. Para essas equipes, simplesmente disputar um jogo de eliminatórias já é uma conquista.
   "Melhor do que isto só se ganharmos a final da Copa do Mundo", chegou a destacar o diretor técnico das Ilhas Virgens Americanas, Keith Griffith, após a vitória sobre as Ilhas Virgens Britânicas na fase preliminar das eliminatórias. O pequeno arquipélago estadunidense hoje ocupa a rabeira do seu grupo, mesma situação enfrentada por Ilhas Cayman, Dominica, São Vicente e Granadinas e Santa Lúcia, o que demonstra que as seleções do Caribe, embora próximas geograficamente, ainda estão muito distantes entre si no mundo do futebol.