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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais um dia de muitos gols

(FIFA.com) Quarta-feira 8 de junho de 2011
Estreando na Copa Ouro 2011, os Estados Unidos derrotaram o Canadá por 2 a 0 na noite de terça-feira e se recuperaram da goleada de 4 a 0 sofrida diante da Espanha em amistoso no sábado. Já o Panamá superou Guadalupe por 3 a 2 para também chegar a três pontos no Grupo C. Enquanto os americanos alcançaram 14 jogos sem perderem do rival do norte, os panamenhos se vingaram da derrota por 2 a 1 na única partida que haviam jogado contra o pequeno país do Caribe.
E.U.A 2 x 0 Canadá
Resultados
Grupo C

Panamá 3 x 2 Guadalupe
Estados Unidos 2 x 0 Canadá
 Resumo do dia
No primeiro jogo da noite, o Panamá conseguiu abrir três gols de vantagem com a boa atuação da dupla de ataque formada por Luis Tejada e Blas Pérez. Ainda antes dos 30 minutos, o país finalista da Copa Ouro 2005 inaugurou o placar depois que uma bola longa de cobrança de lateral foi tocada de peito por Tejada para Pérez, que apareceu livre na frente do gol e estufou as redes com um chute forte de perna esquerda. Pérez retribuiu o favor poucos minutos depois com uma bola longa para Tejada, que driblou dois zagueiros e ampliou com um belo chute cruzado. Logo em seguida, o guadalupense Mickael Tacalfred foi expulso por uma pisada que pareceu acidental. Aos 12 da segunda etapa, Miguel Comminges derrubou Pérez na área, e Gabriel Gómez marcou o terceiro de pênalti. O selecionado do pequeno arquipélago ainda conseguiu se recuperar com dois gols de Brice Jovial, mas já era tarde. Agora Guadalupe enfrentará o Canadá no sábado com a esperança de um resultado melhor.
Por sua vez, os Estados Unidos pegarão o Panamá no mesmo dia com a primeira posição em jogo depois de passarem com tranquilidade pelo Canadá de Stephen Hart. Buscando o quinto título da competição, os americanos começaram a partida com tudo. O Canadá, campeão no ano 2000, demorou a entrar no jogo. O resultado já era esperado, já que os EUA nunca perderam uma partida da fase de grupos do torneio continental, com 23 vitórias em 25 jogos. Aos 15 minutos, Landon Donovan armou a jogada do primeiro gol ao tocar para Jozy Altidore, que girou e deu um chute despretensioso que acabou passando por baixo do goleiro canadense Lars Hirschfeld. Donovan e Steve Cherundolo infernizaram a defesa adversário caindo pelo lado direito, e foi por aquele lado que Altidore criou a jogada do segundo gol ainda antes dos 30 minutos. O cruzamento do atacante foi desviado por Juan Agudelo e sobrou para Clint Dempsey, que se atirou de carrinho e anotou o seu 20º gol pela seleção americana. O goleiro Tim Howard ainda fez boas defesas no segundo tempo para garantir o placar a favor dos EUA.
O número
21 — Os gols marcados na primeira rodada da Copa Ouro. A média de 3,5 gols nos seis duelos chegaria a quatro se não fosse pelo empate zerado entre Honduras e Guatemala.
O craque do dia
Brice Jovial (Guadalupe)
O forte atacante entrou dois minutos depois do intervalo, quando o jogo contra o Panamá parecia totalmente perdido, mas deu novo ânimo à sua seleção. O jogador, que atua na segunda divisão francesa, diminuiu para 3 a 1 aos 20 minutos após ter o primeiro chute defendido e acertar o rebote. Quinze minutos depois, anotou mais um ao pegar de carrinho um toque de Richard Socrier.
O gol mais bonito
Panamá x Guadalupe, Luis Tejada (32/1ºT)
Depois de armar o primeiro gol, o panamenho Tejada fez todo o trabalho no segundo tento. O melhor jogador da Copa Ouro 2005 dominou bem a bola, cortou para o lado e deixou dois adversários no chão. Já com espaço, teve calma para chutar com efeito de perna direita. Em 2005, Tejada foi um dos artilheiros do torneio com três gols, estatística que ele espera superar neste ano.
O que eles disseram
"Sofremos no final apesar de termos ficado em cima o jogo todo, mas por sorte conseguimos colocar uma vantagem de três gols." Julio Dely Valdes, técnico do Panamá
O que vem por aí
Na quinta-feira, 9 de junho, México e Costa Rica tentarão garantir classificação à segunda fase com um jogo de antecipação depois de estrearem com vitórias de 5 a 0. Os costa-riquenhos enfrentarão El Salvador, enquanto o campeão da Copa Ouro 2009 jogará contra Cuba. As duas partidas estão marcadas para a cidade de Charlotte, no estado da Carolina do Norte.
Dê a sua opinião
O Panamá pode derrotar os Estados Unidos na próxima rodada da Copa Ouro e ficar com o primeiro lugar do Grupo C?
Mano Menezes

Mano anuncia time para Copa América

(FIFA.com) Quarta-feira 8 de junho de 2011
Passada a emoção da despedida de Ronaldo da Seleção Brasileira, com a vitória burocrática por 1 a 0 sobre a Romênia, as atenções rapidamente
se voltaram para a convocação de Mano Menezes para a Copa América.
Alexandre Pato
Entre os 22 jogadores
relacionados pelo treinador para defender o Brasil a partir do dia 1 de julho estão Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato, ambos ainda em fase de recuperação de lesões.
A aposta de Mano foi confirmada depois de uma conversa dos médicos da Seleção com os responsáveis pelo tratamento dos dois jogadores. Caso haja algum problema no processo de recuperação de Ganso e Pato, o técnico tem a opção de alterar sua lista até o dia 27 de junho, quando a relação final deve ser enviada à CONMEBOL.
"Temos absoluta convicção de que eles estarão na Copa América", disse o treinador, que voltou a elogiar o jogador santista. "Ganso jogou na minha estreia pela Seleção e sempre
Paulo Henrique Ganso
deixei claro que o vejo como o jogador mais completo para a função que idealizei nessa formação da equipe. Temos um bom período para trabalhar antes da Copa América".
Mano Menezes deixou de fora da lista sete dos jogadores que participaram dos último dois amistosos: Fábio e Jefferson (goleiros), Henrique, Anderson e Thiago Neves (meias) e Leandro Damião e Nilmar (atacantes). O treinador, entretanto, fez questão de elogiar todos os jogadores que enfrentaram a Holanda e a Romênia e afirmou ter gostado do desempenho da equipe nas duas partidas.
"Me agradou jogo com Holanda e também me agradou o desempenho da equipe em determinados momentos da partida de hoje. O primeiro objetivo era dar estabilidade à equipe, e isso ela já tem. Agora falta o apuramento final", disse Mano.
O Brasil faz parte do Grupo B da Copa América e a estreia da Seleção na competição acontece no dia 3 de julho, contra a Venezuela. O segundo adversário do time de Mano será o Paraguai, no dia 9. Fechando a fase de grupos, a Seleção enfrenta o Equador, no dia 13.
Confira os 22 jogadores convocados por Mano Menezes:
Goleiros
Julio César (Inter de Milão)
Victor (Grêmio)

Laterais
Daniel Alves (Barcelona)
Maicon (Inter de Milão)
André Santos (Fenerbahçe)
Adriano (Barcelona)

Zagueiros
Lúcio (Inter de Milão)
David Luiz (Chelsea)
Luisão (Benfica)
Thiago Silva (Milan)

Volantes
Ramires (Chelsea)
Lucas Leiva (Liverpool)
Sandro (Tottenham)

Meias
Elano (Santos)
Elias (Atlético de Madri)
Paulo Henrique Ganso (Santos)
Jadson (Shakhtar Donetsk)
Lucas (São Paulo)

Atacantes
Neymar (Santos)
Robinho (Milan)
Fred (Fluminense)
Alexandre Pato (Milan)

Vitória para fechar uma era fenomenal

(FIFA.com) Quarta-feira 8 de junho de 2011
A vitória por 1 a 0 diante da fraca equipe da Romênia, com gol de Fred, foi apenas um detalhe da festa de despedida de Ronaldo da Seleção Brasileira, nesta terça-feira, no estádio do Pacaembu, em São Paulo. O adeus emocionado do maior artilheiro da história das Copas do Mundo da FIFA foi mesmo o ponto alto do último teste do time de Mano Menezes antes da Copa América, que tem início no dia 1 de julho, na Argentina. E por pouco o Fenômeno não deixou os holofotes repetindo o velho hábito de marcar gols com a camisa verde-amarela: o atacante teve três boas chances de anotar nos breves 15 minutos que passou em campo.
Ronaldo não iniciou o jogo no banco de reservas; permaneceu no vestiário realizando um aquecimento leve ao lado dos filhos Ronald e Alex enquanto a Seleção controlava as ações em campo. Diante de um adversário pouco operante, o Brasil assumiu rapidamente o controle do jogo e chegou bem ao ataque com o trio formado por Jadson, Neymar e Fred.
O atacante tricolor teve a chance de abrir o placar já aos 18 minutos após bela jogada do jovem craque santista, mas o bonito voleio saiu sem direção. Apenas três minutos depois, Fred se redimiu, novamente em lance iniciado por Neymar: o camisa 11 recebeu pela esquerda, driblou o goleiro romeno e tocou para Fred que, bem posicionado, só empurrou a bola para o fundo da rede. À exceção de uma boa cobrança de falta de Muresan, que carimbou o travessão de Victor, a Romênia permaneceu praticamente imóvel. Até a entrada mais aguardada da noite, que pareceu despertar o goleiro Tatarusanu.
O cronômetro marcava exatamente 30 minutos da primeira etapa quando Ronaldo surgiu no gramado do Pacaembu, levando a torcida que lotava o estádio ao delírio. Ovacionado, o atacante entrou no lugar de Fred com um largo sorriso no rosto e partiu para a área romena. Quatro meses depois do anúncio de sua aposentadoria, o Fenômeno estava de volta ao seu habitat natural vestindo a camisa 9 amarela que ele consagrou ao longo de 12 anos.
Nem a forma física distante da ideal nem a falta de ritmo de jogo foram capazes de frear Ronaldo: o artilheiro precisou de apenas três minutos para mostrar que o faro de gol e a noção de posicionamento na área continuam os mesmos. Aos 33, Neymar arrancou com a bola pela direita e tocou para Ronaldo, livre no meio da pequena área. O Fenômeno escorou bem, mas o Tatarusanu apareceu bem para impedir a primeira tentativa de gol do camisa 9.
Aos 39, nova chance para Ronaldo. Neymar fez mais uma bela jogada pela direita e deixou o ídolo novamente na cara do gol, mas o atacante pegou muito mal na bola e chutou muito longe, por cima do gol de Tatarusanu. A terceira oportunidade surgiu aos 44, em jogada iniciada por Lúcio. O zagueiro tocou para Neymar, que foi até a linha de fundo e rolou para Ronaldo, atrás. O camisa 9 chutou fortre, de primeira, mas o goleiro romeno fez outra boa defesa e impediu o triunfo final do Fenômeno.
Três minutos depois da última tentativa, a trajetória de Ronaldo com a camisa amarela chegava ao fim. O apito final soou e Ronaldo recebeu a bola do jogo para iniciar sua despedida oficial. O atacante deixou o campo ovacionado pelos jogadores e pela torcida, partindo para uma volta olímpica ao lado dos dois filhos. Durante o passeio pelo gramado, o artilheiro cruzava com bandeiras que traziam os detalhes de cada um de seus 15 gols pela Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
Enrolado a uma bandeira do Brasil, Ronaldo se dirigiu ao púlpito montado no centro do gramado e falou aos torcedores.
"Tive três chances de gol mas não consegui fazer, me desculpem. Seria uma forma incrível de recompensar tudo o que vocês, que estão aqui, mas também todos os que me acompanharam ao longo da minha carreira, fizeram por mim durante todo esse tempo. A vocês que choraram quando eu chorei, que sorriram comigo, que torceram por mim e me incentivaram, o meu muito obrigado. Um até breve, mas da próxima vez fora dos campos", disse um emocionado Fenômeno.
A era Ronaldo na Seleção chegava ao fim, mas o jogo contra a Romênia tinha que continuar. E ele seguiu, apenas para provar que o ponto alto havia realmente ficado para trás. A segunda etapa foi morna e o time de Mano Menezes voltou a receber vaias da torcida - assim como no amistoso contra a Holanda, no último sábado - mas confirmou a vitória magra por 1 a 0.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Espanha passeia na Venezuela

(FIFA.com) Terça-feira 7 de junho de 2011
Diante de uma torcida mais interessada em ver a atual campeã mundial do que propriamente em apoiar sua própria seleção, a Espanha mostrou o futebol eficiente de sempre e derrotou a Venezuela por 3 a 0 no amistoso realizado nesta terça-feira em Puerto de La Cruz.  David Villa, Pedro Rodriguez e Xabi Alonso marcaram os gols da Fúria na partida, adicionando mais uma goleada à ficha corrida da equipe de Vicente del Bosque.
Todos os tentos espanhóis saíram logo no primeiro tempo do confronto. Disposta a mostrar que entraria com força total, a Fúria partiu para o ataque e abriu o placar logo aos cinco minutos, em boa cobrança de falta de Villa. O artilheiro da Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010 também participou da jogada do segundo gol, dando belo passe para Pedro ampliar aos 20 minutos. Aos 45 minutos da primeira etapa, Xabi Alonso fechou a goleada, também de falta.
Se a Espanha correspondeu às expectativas, a Itália decepcionou no amistoso desta terça-feira contra a Irlanda. Invicta nas Eliminatórias da UEFA Euro 2012, a Azzurra não repetiu a boa atuação da última partida pela competição, contra a Estônia, e foi derrotada por 2 a 0 em Liége, na Bélgica.
Com uma formação bem distinta daquela que bateu a Estônia por 3 a 0, a Itália foi dominada durante toda a partida e viu os irlandeses abrirem o placar aos 36 do primeiro tempo em bela cobrança de falta de Andrews. O gol empurrou o time italiano para a frente, mas a tentativa de reação foi interrompida após bom contra-ataque da Irlanda aos 44. Cox apareceu bem na pequena área para finalizar e garantir a vitória sobre a Azzurra. 
Outros resultados de amistosos desta terça-feira:
Austrália 0 x 0 Sérvia
Japão 0 x 0 República Tcheca
Coreia do Sul 2 x 1 Gana
Cingapura 4 x 0 Maldivas
Gabão 0 x 1 Gâmbia
Noruega 1 x 0 Lituânia
Rússia 0 x 0 Camarões
Áustria 3 x 1 Latvia
Irlanda 2 x 0 Itália
Venezuela 0 x 3 Espanha 

A última lágrima de Ronaldo

(FIFA.com) Segunda-feira 6 de junho de 2011
   No anúncio da aposentadoria, no dia 14 de fevereiro, Ronaldo só conteve a emoção no início da entrevista coletiva e, como era esperado, desabou ao lembrar de seus últimos momentos como jogador e das dores no corpo que o impediram de continuar. Quase quatro meses depois, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo da FIFA volta aos gramados para se despedir da Seleção Brasileira, sem, no entanto, prometer gols. Contra a Romênia, no Pacaembu, o dono da festa sabe que a noite será, sim, de muitas lágrimas.
   Frio e calculista como poucos na frente dos goleiros, Ronaldo nunca foi de esconder o que sentia. E o choro foi, em diversos momentos de sua carreira, a forma encontrada para extravasar. Nesta terça, ele mesmo sabe que será difícil de se conter quando estiver novamente no estádio onde desfilou nos dois últimos anos, reverenciado pela torcida do Corinthians. “Vai ser muito emocionante, de arrepiar, de chorar”, apostou ele, em entrevista ao canal Sportv. “A Seleção representa muito para mim, tenho uma identificação tão grande que não tem como me separar definitivamente.”
   Para chegar ao topo, Ronaldo foi confrontado desde cedo com situações de extrema pressão. E, se soube lidar com elas na maioria das vezes – como quando precisou abdicar do sonho de jogar no Flamengo por não ter dinheiro para pagar a condução –, em outras simplesmente não aguentou. A incrível ascensão no Cruzeiro, no PSV, no Barcelona e na Seleção o transformou em herói, mas foi em 1998 que o mundo descobriu o lado humano por dentro de uma máquina aparentemente perfeita.
   Antes da final contra a França, a pressão não se transformou em lágrimas, mas, ainda pior, em uma crise nervosa que tirou as forças da grande esperança do país. Já na Internazionale, foi impossível se segurar em outras três ocasiões. Na última delas, em 2002, a perda do título italiano na rodada final contra a Lazio o fez chorar copiosamente já no banco de reservas.
   Antes, as lágrimas haviam sido de dor: na primeira grave lesão no joelho direito, em 1999, e depois na segunda, no mesmo joelho, exatamente quando retornava aos gramados em 2000.
   “Vi muitos diagnósticos desesperadores, de ir para casa e chorar”, lembrou, na mesma entrevista. “Ele (médico) me disse que, com sorte, eu voltaria a caminhar bem e dar um trotezinho. Nesse dia eu chorei muito.” A máquina estava desgastada, mas Ronaldo daria mais uma de suas voltas por cima, talvez a mais bela, ao superar a desconfiança e ser a estrela do pentacampeonato mundial com a Seleção, erguendo a taça e exibindo um largo sorriso que também o caracterizou.
Emoção no adeus
   
Na vida pessoal, nos casamentos e separações ou nos clubes badalados por onde passou, como o Real Madrid, Ronaldo sempre encontrou uma forma de driblar o insucesso e as críticas. De volta a Milão, após superar em 2006 o recorde de Gerd Müller com 15 gols em Mundiais, tentou como pôde se manter em alta, mas, novamente, não houve como. As cenas dramáticas de oito, nove anos atrás – mãos no rosto e no joelho e expressão de dor – se repetiram, mas com um uniforme diferente: o rossonero do Milan.
   Na volta ao Brasil, o Corinthians o acolheu apostando mais na força de sua imagem e teve uma agradável surpresa com o bom futebol resgatado. Assim, vieram os títulos, a idolatria de uma torcida apaixonada e a alegria por poder fazer de novo o que mais gostava. Por outro lado, vieram também as exigências por mais conquistas e ele, aos 34 anos, não as suportou. O difícil controle do peso, as seguidas lesões e o duplo fracasso na tentativa de conquistar o sonhado título da Libertadores minaram a resistência mesmo de alguém nascido com as “costas largas”, como ele gostava de dizer.
   Nos últimos momentos antes da aposentadoria, Ronaldo se comoveu pela penúltima vez diante das câmeras ao comentar sobre uma possível falta de comprometimento em treinos. E antes de tomar a decisão, passou pelo velho ritual. “Nos últimos dias chorei como um neném”, revelou na véspera do anúncio oficial. “São as dores no corpo. A cabeça até quer continuar, mas o corpo não aguenta mais. Penso em uma jogada, mas não a executo como quero. Está na hora.”
   No dia 14 de fevereiro, Ronaldo esteve pela última vez sob pressão e tirou um enorme peso que o incomodava. Longe dos gramados, não se desligou totalmente do futebol. Pelo contrário, iniciou com a mesma rapidez dos velhos tempos sua nova carreira, como sócio de uma agência de marketing esportivo.
   Teve tempo ainda para receber outras homenagens, como a do Real Madrid ou da própria Seleção, antes do jogo contra a Escócia, e até aceitar convite para se aventurar nos cinemas.
   Para o jogo desta terça, se preparou sem as mesmas exigências da época de jogador. E não fez nem questão de esconder as dificuldades de se manter em forma. “Está difícil. Tenho treinado, mas ainda sofro com as velhas lesões. Treino uma vez e fico um dia de repouso”, disse. “Mas está indo tudo bem, será só uma despedida, poucos minutos. Tenho certeza que vai ser uma grande festa.” Por tudo que passou e pelo que fez pelo futebol, Ronaldo merece esta despedida, mesmo que ela seja regada a lágrimas. E se elas vierem, ao menos todos saberão que, desta vez, terá sido por algo especial.

Últimos preparos

(FIFA.com) Segunda-feira 6 de junho de 2011
   Dezessete amistosos estão programados entre os dias 6 e 9 de junho para que os treinadores trabalhem com as equipes na preparação para a Copa América, no caso dos sul-americanos, ou para a sequência das eliminatórias para a Euro 2012, em setembro.
   Com exceção da Alemanha, que disputará jogo válido pelas eliminatórias para o torneio continental, os outros três semifinalistas da Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010 farão amistosos esta semana. O FIFA.com analisa os principais confrontos.
Holanda 3 x 2 Uruguai na copa do mundo 2010
O jogo destacado
Uruguai x Holanda, quarta-feira, 8 de junho, Estádio Centenario, Montevidéu, 16h30 (horário de Brasília)
   O torcedor uruguaio está ansioso pela revanche da semifinal da África do Sul 2010, em que os holandeses venceram por 3 a 2. Revelação do Mundial, o Uruguai espera dar sequência ao momento de resgaste da sua tradição durante a Copa América que será realizada na vizinha Argentina entre os dias 1º e 24 de julho.
   Apesar da derrota por 2 a 1 na Alemanha no último dia 29 de maio, o técnico Óscar Tabárez escalará novamente o ataque formado por Diego Forlán, Edinson Cavani e Luis Suárez. O único desfalque do grupo nesta partida pouco amistosa será o meio-campista Álvaro Fernández,
Brasil 0 x 0 Holanda
que está lesionado e será substituído por Cristian Rodríguez.
   Embora sem os ídolos Mark van Bommel, Wesley Sneijder e Rafael van der Vaart, a Holanda possui um elenco que sabe levar perigo, como se viu no empate sem gols com o Brasil no último sábado. Um dos destaques do jogo em Goiânia foi o meia-atacante Ibrahim Afellay, reserva de luxo do Barcelona.
Os outros jogos
   A França terá caras novas nos dois amistosos que fará com os países-sede da próxima Eurocopa, Ucrânia (6 de junho) e Polônia (9 de junho). "Os jogadores estão esgotados", admite o treinador Laurent Blanc na tentativa de explicar o tropeço na Bielorrússia (1 a 1) e as diversas mudanças na equipe.
Romênia 3 x 0 Bósnia e Herzegovina
   Para surpresa geral, o técnico da Romênia Razvan Lucescu pediu demissão logo após a importante vitória sobre a Bósnia e Herzegovina por 3 a 0 na sexta-feira. Quem recebeu a responsabilidade de comandar a seleção foi o treinador da equipe sub-21 do país, Emil Sandoi. Ele estará à frente do grupo nos amistosos contra o Brasil, no dia 7, e contra o Paraguai, quatro dias mais tarde. Os torcedores brasileiros esperam ter na partida do Pacaembu - que marca a despedida de Ronaldo- um gostinho do jogo bonito prometido pelo técnico Mano Menezes.
   Já o Equador decidiu ir a Nova Iorque para medir forças com a sólida seleção da Grécia, enquanto a Venezuela assumirá mais riscos ao enfrentar a Espanha, que vem de goleada por 4 a 0 sobre os Estados Unidos.
   Neste fim de temporada no Velho Continente, a demanda por adversários europeus está em alta. A República Tcheca terá a oportunidade de constatar os progressos do Japão, a Rússia receberá Camarões (com Samuel Eto'o, que precisa compensar um pênalti perdido pela seleção) e a Austrália enfrentará a Sérvia. Já o técnico da Itália, Cesare Prandelli, optou por permanecer no país para fazer ajustes contra a Irlanda.
Olho nele
   O zagueiro Mamadou Sakho, do PSG, é a mais recente revelação do futebol francês. O jogador de porte físico avantajado pode ser a resposta que o técnico Laurent Blanc anda procurando. "Não temos muitas opções na zaga", constatou o treinador. "Temos atletas promissores, mas que ainda não atingiram o nível da seleção."
O número
4-2-1 — O total de vitórias, derrotas e empates da Seleção Brasileira na era Mano Menezes.
O que eles disseram
   "Era importante que os jogadores se reencontrassem por uns dez dias após a temporada dos clubes, para fortalecerem os laços. Também era útil que isso fosse feito no Brasil, para já projetarmos o futuro e nos familiarizarmos com as condições de jogo no país."
Bert van Marwijk, técnico da Holanda
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O Uruguai pode vencer a Copa América?

França bate Ucrânia por 4 a 1 de virada

França 4 x 1 Ucrânia
(AFP) Segunda-feira 6 de junho de 2011
   Com três gols nos últimos quatro minutos de jogo, a França derrotou a Ucrânia de virada por 4 a 1 em Donetsk nesta segunda-feira e mostrou que o processo de renovação iniciado por Laurent Blanc começa a render frutos. O grande ponto alto do confronto foi o bom desempenho do estreante Marvin Martin, do Sochaux, que deixou sua marca duas vezes e ajudou os Bleus a conseguirem a vitória. 
   Três dias após o empate em 1 a 1 diante da Bielorrussia, pelas eliminatórias da Euro 2012, a França encontrou problemas diante da Ucrânia e, depois de um primeiro tempo improdutivo, sofreu o gol aos oito minutos da segunda etapa - Tymoschchuk fez as honras da casa. O empate veio apenas cinco minutos depois, com Gameiro, abrindo caminho para uma empolgante reação.
   Embora a entrada de veteranos como Benzema e Ribéry tenha dado novo fôlego aos Bleus, foi a atuação do jovem Martin que alavancou a virada francesa. Ele marcou aos 42 do segundo tempo com um belo chute e ainda fechou a goleada francesa aos 47 - Kaboul fez o terceiro da
Alemanha 3 x 1 Azerbaijão

Alemanha e Suécia, sem sustos

(FIFA.com) Terça-feira 7 de junho de 2011
   A rodada desta terça-feira das eliminatórias para a UEFA Euro 2012 teve seis jogos, com duas equipes tradicionais em campo: a Alemanha e a Suécia, que não tiveram problemas para vencer.

   Fora de casa, os alemães ratificaram seu domínio absoluto do grupo A e praticamente asseguraram vaga: com gols de Mesut Özil, Mario Gomez e André Schürrle, a equipe marcou 3 a 1 no Azerbaijão e se manteve com 100% de aproveitamento, com 21 pontos – dez a mais do que a vice-líder Bélgica e 11 acima da Turquia, que tem seis jogos.
Suécia 5 x 0 Finlândia

   Já os suecos jogaram em casa, em Solna, e deram alegria à torcida local, em grande parte graças a Zlatan Ibrahimovic, que marcou três vezes na vitória por 5 a 0 sobre a vizinha Finlândia. Os outros dois gols foram de Kim Källstrom e Emir Bajrami. A Suécia foi assim a 15 pontos em seis jogos e está em segundo lugar do grupo E, atrás da Holanda, que tem 18 e não entrou em campo nesta rodada. Terceira colocada, a Hungria foi a 12 pontos graças aos 3 a 0 que conseguiu em San Marino.

   No grupo D, a Bielorrússia se consolidou na vice-liderança ao marcar 2 a 0 contra Luxemburgo, dentro de casa. A equipe foi a 12 pontos em sete jogos, contra 13 da líder França, que tem seis partidas. A Bósnia e Herzegovina foi a sete pontos em cinco jogos ao derrotar a Albânia por 1 a 0.

   A partida isolada do grupo C não serviu para as Ilhas Faroe deixarem a lanterna, mas ao menos a equipe conseguiu sua primeira vitória: 2 a 0 sobre a Estônia.

Duas estreias cinco estrelas

(FIFA.com) Segunda-feira 6 de junho de 2011
Costa Rica e México estrearam na Copa Ouro 2011 com goleadas de 5 a 0, mas as duas partidas no Cowboys Stadium foram bem diferentes. Enquanto os costarriquenhos massacraram Cuba desde o início do jogo, os mexicanos precisaram de 54 minutos para finalmente abrirem o placar contra o selecionado de El Salvador. 
Costa Rica 5 x 0 Cuba
Resultados
Grupo A
Costa Rica 5 x 0 Cuba
México 5 x 0 El Salvador  
Resumo do dia
Mesmo sem Bryan Ruiz em campo, a jovem Costa Rica do técnico Ricardo
La Volpe superou com facilidade a seleção de Cuba no jogo de abertura do torneio. Os costarriquenhos, que contam no currículo com três participações na Copa do Mundo da FIFA, abriram o placar já aos sete
minutos com o excelente Marcos Ureña e ampliaram com Alvaro Saborio antes do intervalo. Na etapa complementar, Ureña marcou mais um e Heiner Mora anotou o quarto logo em seguida. Depois de entrar no jogo,
México 5 x 0 El Salvador
Joel Campbell fechou o marcador com um chute com efeito aos 26 minutos.

   Um grande público compôs um verdadeiro mar verde no estádio nas redondezas de Dallas para acompanhar o México, campeão da última edição da Copa Ouro. Porém, os comandados do técnico José Manuel de la Torre enfrentaram dificuldades, e os coloridos torcedores tiveram de esperar até o segundo tempo para verem o selecionado superar a muralha azul de El Salvador. Foi com a criatividade de sempre que Giovani dos Santos iniciou a jogada do gol de abertura de Efraín Juarez aos nove minutos do segundo tempo. As comportas foram abertas logo depois, com Aldo de Nigris e Javier "Chicharito" Hernánde, que marcou três vezes.
O número
4 — Os enfrentamentos entre Costa Rica e Cuba pela Copa Ouro, com quatro vitórias costarriquenhas. O 5 a 0 do domingo também foi a maior goleada do dia de abertura em toda a história do torneio e a oitava derrota consecutiva de Cuba na competição.
O craque do dia
Giovani dos Santos (México)
"Chicharito" pode ter sido o goleador, mas foi Giovani quem teve a atuação mais destacada pela seleção mexicana. O jogador mostrou energia, velocidade e criatividade na vitória sobre El Salvador. Embora tenha tido altos e baixos até agora na carreira profissional, ele sempre supera as expectativas ao defender as cores do seu país, como ao armar o importante gol que abriu o placar da partida de ontem.

O gol mais bonito
Costa Rica x Cuba, Marcos Ureña (7/1ºT)
O mais bonito foi justamente o primeiro dos cinco gols costarriquenhos sobre Cuba. Mesmo postados na defesa, os cubanos foram surpreendidos por um contra-ataque em altíssima velocidade. Um lançamento da defesa foi dominado com maestria pela esquerda por Christian Bolaños, que fez um belo cruzamento rasteiro para Ureña. O atacante de 21 anos, que atua no Kuban Krasnodar da Rússia, concluiu com precisão depois de correr 50 metros para acompanhar a jogada. Antes de sair de campo na segunda etapa, ele ainda voltou a deixar a sua marca, praticamente definindo a vitória que acabou virando goleada.

O que eles disseram
"Fazer três gols é muito importante para um jogador, mas faz parte do desempenho como um todo. E não vamos nos esquecer de que o trabalho de um atacante é fazer gols."
José Manuel de la Torre, técnico do México, sobre os três gols de Hernández


O que vem por aí
Nesta segunda-feira, será a vez de os países de língua inglesa entrarem em campo em Los Angeles. Atual campeã caribenha, a Jamaica do atacante Dane Richards tem pela frente a pequena Granada no Home Depot Center. Vice-campeã da Copa Ouro em 1991, a seleção de Honduras enfrenta a Guatemala com o objetivo de deixar para trás as más lembranças da fraca participação na Copa do Mundo da FIFA 2010.

Dê a sua opinião
México ou Costa Rica? Qual das duas seleções goleadoras do primeiro dia de jogos tem mais chances de vencer o Grupo A da Copa Ouro 2011?

Coisa de maluco

(FIFA.com) Terça-feira 7 de junho de 2011
A comemoração parece meio tresloucada: o atacante corre pelo campo com as duas mãos erguidas e espalmadas à altura do queixo, chacoalhando um pouco a cabeça, com a língua de fora. Foi o jeito que o atacante Alecsandro encontrou para homenagear o pai Lela, ex-jogador que se destacou nos anos 80 celebrando assim os seus gols. Mas a careta também reflete a opinião de muitos – que têm se provado cada vez mais errados - sobre sua decisão de se transferir para o Vasco da Gama neste ano, deixando o Internacional.
“Quando souberam que estava vindo para o Vasco, alguns me chamaram de maluco, que eu estava indo para um clube que há muito tempo não ganha um título. Falavam que eu estava estabilizado num clube como o Inter, disputando tudo”, afirmou o atacante ao FIFA.com. “Mas, por que não?”
Por coincidência, o meia-atacante Diego Souza afirmou ter sido outro a encarar exatamente essa mesma desconfiança quando acertou com o clube de São Januário. Em poucos meses, porém, o time vai mostrando sinais de que o que faziam não tinha nada de loucura. Após a vitória por 1 a 0 sobre o Coritiba, em casa, pela final da Copa do Brasil, o time está apenas a um empate do título, no Couto Pereira.
Reagrupamento
A linha de frente da equipe vascaína reúne alguns jogadores descartados por suas ex-equipes. Diego Souza não viveu um grande ano pelo Atlético Mineiro. Éder Luís foi pouco aproveitado pelo Benfica, depois de passagem apagada pelo São Paulo. O garoto Bernardo foi emprestado pelo Cruzeiro pelo segundo ano seguido. O próprio Alecsandro vinha perdendo espaço no Inter. Sob o comando do técnico Ricardo Gomes, no fim, essas peças se encaixaram, rendendo dividendos imediatos.
“É o mesmo caso do Leandro, do Eduardo Costa... São todos jogadores que têm conquistas, que deixaram rastro de vencedores em outros times. Por mais que não tenham dado certo no time anterior, são jogadores que chegaram com o pensamento de ser campeões, com uma proposta de fazer o Vasco voltar ao cenário. Essa somatória de querer é o que está nos levando adiante”, concorda Alecsandro.
No caso dele, pesou também o empenho da direção do Vasco em sua contratação. “Eles foram três vezes a Porto Alegre para fechar a negociação. Tive propostas de outras equipes, mas o que me trouxe para o Vasco foi essa vontade deles. Sempre diziam: ‘Precisamos de você. Você encaixaria certinho aqui’. Por isso tenho de retribuir ao máximo esse esforço que fizeram”, conta.
Encaixou mesmo: em 12 jogos, ele já marcou seis gols – incluindo o da vitória na primeira partida decisiva –, seguindo sua rota de artilheiro que já incluiu Vitória, Cruzeiro, Sporting e o time colorado. “Vem sendo legal. Com pouco tempo de clube acontecer isso, tudo rápido, de todo mundo já saber que eu sou o Alecsandro do Vasco. Já parece que eu tenho mais de um ano de clube.”
O gol é um detalhe?
O curioso é que o atacante gosta de ressalvar que não entra em campo com a cabeça obcecada em fazer gols. Mas eles simplesmente não param de sair e abriram a chance de prestar sua reverência a Lela, emulando sua característica comemoração amalucada. Contra o Coritiba, ela ganha uma conotação especial, já que o pai marcou história pelo time paranaense, pelo qual foi campeão brasileiro em 1986. “Foi com ele que tudo começou, respirando o futebol desde sempre. Eu e meu irmão (Richarlyson, volante do Atlético Mineiro) vivemos o cotidiano dele de treinos, jogos, desde quando estávamos na barriga da minha mãe. E uma coisa que ele sempre falava era que, se resolvêssemos jogar futebol, era para fazer carreira e não só como lazer.”
A final da Copa do Brasil de seu antigo clube com o do de seu filho, neste ano, foi antecipada pelo ex-atacante. “Pelo desenrolar da competição, meu pai já havia comentado comigo que ia dar Coritiba na final, que eles vinham jogando muito bem. Disse: ‘Vê se ganha do Avaí, porque a final vai ser contra eles’. Lógico que para ele era muito legal, ter esse ambiente na final”, conta.
Alecsandro recebeu os parabéns do pai pelo gol e a primeira vitória na quarta passada. Antes, em campo, ele foi interceptado pelos repórteres e insistiu que “troca todos os gols pelo título”. “Não adianta fazer dois, três gols e não levar a taça”, explica. Ao FIFA.com, todavia, ele fez uma concessão: “Se fizer gols que levem ao título, então fico muito feliz que as coisas possam se casar”. Para depois completar com uma frase de muita convicção, que não é confundida com loucura nenhuma: “Fui campeão em todos os times por que passei e tenho fé de que será assim também pelo Vasco”.